Problemas existem e quando aparecem procuramos solucioná-los. Quando esses são problemas de saúde, buscamos solução por meio de intervenção de um profissional da área da saúde. O corpo é um universo extenso e complexo que, apesar de único, se divide em partes. Pela sua complexidade, cada parte tem merecido a atenção de diferentes profissionais de saúde.
O interessante é que algumas partes são tão complexas que necessitam da intervenção de mais de um tipo de profissional dentro da mesma área (da medicina, como, por exemplo, neurologistas e psiquiatras em algumas enfermidades) ou fora (medicina e outra, como psicologia, nutrição, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional etc.).
Vamos nos reportar ao cérebro, uma parte do corpo humano, cujo tratamento de suas enfermidades compete ao neurologista e ao psiquiatra. O cérebro comporta a mente, um campo subjetivo, que hospeda consciência, sentimentos, memórias, pensamentos e muito mais, e que dá significação e ressignificação à vida. Pois bem, a mente, esse importante campo cerebral, é estudado por psiquiatras, psicólogos e neurocientistas e sua abordagem terapêutica é feita pelos dois primeiros.
Mas, quando procurar um ou outro? Quando devo buscar um psicólogo ou procurar um psiquiatra para reportar meus problemas? A diferença de que um é médico e prescreve medicamentos, enquanto outro atua com terapias não farmacológicas, nos ajuda muito pouco no processo de escolha, porque muitas vezes não sabemos se vamos precisar ou não do uso de fármacos.
De início, a psicologia trabalhava a mente não adoecida, que procurava o autoconhecimento, ou ainda personalidades que buscavam mudar alguns traços de expressão de seu caráter. Hoje, além desses pontos, a psicologia se junta à psiquiatria no tratamento de inúmeras doenças psiquiátricas, compondo o que chamamos de tratamento integrado.
Assim, entendemos que a psicologia deve ser buscada quando a pessoa desejar o autoconhecimento e o aprendizado de como lidar com suas emoções; quando estiver insatisfeita com padrões de comportamento e deseja entendê-los e modificá-los; quando houver baixa autoestima ou dificuldades nos relacionamentos, nas escolhas profissionais e nos processos de luto.
Alguns casos de ansiedade, fobias, obsessões ou depressões em suas formas leves podem se beneficiar da abordagem psicológica isolada, apesar de que sempre que houver a suspeita de uma doença mental, mesmo de baixa gravidade, faz-se necessário que se proceda inicialmente com avaliação médica, neste caso, da psiquiatria para o estabelecimento ou não do possível diagnóstico. Assim como também há de se reforçar que casos aparentemente não tão graves, como insônia, sintomas ansiosos e depressivos, principalmente quando já estão interferindo na funcionalidade circadiana do indivíduo, devem, sem sombra de dúvidas, ser direcionados à avaliação psiquiátrica.
Doenças psiquiátricas mais expressivas, como transtornos de ansiedade generalizada, quadros depressivos maiores, transtornos bipolares, esquizofrenias, outros transtornos psicóticos (onde há delírios e alucinações), abuso de substâncias psicoativas lícitas ou ilícitas e demais enfermidades psíquicas, todas precisam de intervenção psiquiátrica, principalmente quando há risco de suicídio ou agressão a terceiros, casos que, muitas vezes, necessitam de internação hospitalar, que só pode ser indicada e realizada por médicos. São todos casos que, certamente, necessitarão de avaliação médica, confecção de hipótese diagnóstica e tratamento medicamentoso em regime ambulatorial ou hospitalar.
Como já dissemos, hoje o tratamento integrado, psiquiátrico e psicológico, constituem grandes benefícios em prol da recuperação do paciente e, sempre que possível, deve-se lançar mão dessa modalidade terapêutica. Em caso de urgência, é óbvio que uma unidade hospitalar deve ser procurada. Porém, em casos menos graves, ou se houver dúvida, é melhor buscar atendimento médico psiquiátrico e este deverá encaminhar o paciente à psicologia se houver indicação para isso.
Por outro lado, caso os aparentemente mais leves, inicialmente direcionados ao acompanhamento psicológico, devem ser encaminhados à psiquiatria, também quando houver indicação de tratamento médico. Na modalidade terapêutica integrada, enquanto os conteúdos emocionais e comportamentais são trabalhados pelo psicólogo, a regulação biológica é a meta a ser alcançada pelo psiquiatra, que lança mão de tratamentos medicamentosos e outras terapias biológicas não farmacológicas para esse fim.