Às vésperas das convenções partidárias, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), anunciou oficialmente hoje (3), que a legenda rompeu com o arco de alianças governista e terá uma candidatura própria ao Governo do Estado.
Todas as pendências jurídicas, as indicações ao Senado e a homologação oficial da chapa do Podemos serão sacramentadas na convenção partidária, convocada para esta terça-feira (4), prometendo um dia de intensas negociações nos bastidores de Cuiabá.
Conforme noticiado no Gazeta Digital, o estopim para o racha foi a decisão do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) de recusar a indicação do Podemos para a vaga de vice-governador em sua chapa, optando por selar o posto com o deputado federal Fábio Garcia (União).
“O Podemos analisou detidamente todos os quadros e cenários e decidiu por uma candidatura própria ao governo”, declarou Max Russi, sem revelar de imediato qual nome encabeçará a chapa majoritária. A mudança repentina de posicionamento implode o plano do Palácio Paiaguás de unificar a base e abre uma nova crise no grupo político que dá sustentação ao atual governo.
Max Russi, que desponta como a liderança mais influente da sigla em Mato Grosso, vinha sendo pressionado pela executiva nacional para tomar as rédeas de um palanque independente. A deputada federal Renata Abreu, presidente nacional do Podemos, já havia sugerido publicamente o nome do próprio Russi para disputar o Palácio Paiaguás. Embora o parlamentar mato-grossense sempre tenha minimizado a possibilidade de concorrer ao Executivo para focar em seu projeto de reeleição, o cenário mudou após o fechamento de portas por parte de Pivetta.
A escolha de Fábio Garcia para a vice-governadoria contou com as digitais do ex-governador Mauro Mendes (União), de quem Garcia é aliado histórico. Vale lembrar que, nas eleições municipais de 2024, Mendes tentou até o último minuto emplacar “Fabinho” como candidato à Prefeitura de Cuiabá, cedendo posteriormente para que o deputado Eduardo Botelho assumisse a cabeça da chapa. Agora, Mendes consegue carimbar o espaço de Garcia no projeto de 2026.
Antes da definição de Fábio Garcia, a equipe de articulação de Pivetta avaliou outros nomes para tentar trazer equilíbrio estético e representatividade à chapa. A deputada federal Gisela Simona (União) era vista como uma alternativa de peso: mulher, negra, com forte apelo eleitoral na Baixada Cuiabana e histórico de votações expressivas na capital. O nome do ex-secretário de Fazenda, Rogério Gallo (União), também chegou a circular nas salas de reunião nas últimas horas, mas acabou descartado pelo núcleo duro do Republicanos.
Com o Podemos oficialmente fora do bloco governista, o mercado político entrou em polvorosa. O senador Wellington Fagundes (PL), candidato ao Governo do Estado pela oposição, já havia manifestado publicamente no domingo (2) o desejo de atrair o Podemos para o seu palanque. O movimento de Max Russi em lançar uma terceira via injeta forte dose de imprevisibilidade na disputa e pode forçar um segundo turno no estado. (Redação com Gazeta Digital)
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