O senador Flávio Bolsonaro (PL) surpreendeu ao elogiar o Bolsa Família durante um debate realizado nesta segunda-feira (15), em São Paulo. O parlamentar defendeu a manutenção do programa social, tratando-o como um direito adquirido da população de baixa renda.
A estratégia do senador, que busca se distanciar da imagem de radicalismo, inclui a promessa de reformular o benefício para estimular a empregabilidade formal. Ele confirmou que Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, integrará seu time estratégico na campanha.
Flávio argumentou que existe uma “memória afetiva” em torno do Bolsa Família e propôs mudanças no formato atual. A ideia central é garantir que o beneficiário não perca o auxílio imediatamente ao conseguir um emprego com carteira assinada, oferecendo segurança para o trabalhador.
Além da assistência social, o senador abordou a política fiscal. Ele declarou apoio à isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, mas criticou a gestão atual, alegando que o governo petista não estaria apresentando uma compensação de receitas adequada.
O senador propõe que a manutenção do Bolsa Família sirva como uma garantia de estabilidade para trabalhadores, incentivando a migração para o emprego formal sem o medo do desamparo.
A nova equipe e o tom moderado
A presença de Daniella Marques na equipe de campanha reforça o objetivo de Flávio em se aproximar de temas como a mobilidade social e a economia. Marques, que foi peça-chave na gestão de Paulo Guedes, é vista pelo senador como um dos nomes mais qualificados para viabilizar projetos econômicos.
O senador também admitiu falhas no relacionamento com a imprensa durante a gestão de seu pai e prometeu uma “mudança radical” na comunicação. Segundo Flávio, a postura de enfrentamento com veículos de imprensa não deve ser repetida em um eventual governo próprio.
Flávio Bolsonaro tem se apresentado como uma alternativa moderada dentro da direita, focando em corrigir erros de comunicação e reforçar pautas sociais estruturantes.
Desafios e distância de aliados
Questionado sobre o isolamento de figuras importantes da direita, como Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira, Flávio minimizou a situação. Ele argumentou que o eleitorado ainda não está focado no processo eleitoral de 2026, mas analistas apontam o desgaste gerado por escândalos recentes como o do Banco Master.
Apesar da tentativa de imprimir uma nova marca, o senador terá o desafio de unificar o campo conservador, que atualmente se encontra fragmentado. A confirmação de sua viabilidade política dependerá de como ele conseguirá transitar entre o eleitorado bolsonarista raiz e os setores que buscam um perfil mais centrista.
O senador tenta se desvencilhar de polêmicas privadas e reforçar seu projeto político através de um discurso focado em aprendizado e renovação da direita.
Para o mercado e o eleitor mato-grossense, as sinalizações de Flávio Bolsonaro têm peso direto. Mato Grosso, sendo um dos estados com maior base bolsonarista do Brasil e economia pujante no agronegócio, observa com atenção se o “Bolsonaro moderado” conseguirá manter a confiança do setor produtivo e das lideranças regionais. A promessa de manter programas sociais com foco em empregabilidade é um tema de interesse local, dado o impacto que essas transferências de renda têm no consumo das famílias mais vulneráveis nos municípios do interior de Mato Grosso.
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