Tênis brasileiro celebra campanha histórica em Roland Garros


Título inédito de Guto Miguel, liderança do ranking mundial juvenil, semifinalistas em diferentes categorias e destaque da arbitragem marcam uma das participações mais expressivas do Brasil no Grand Slam francês

O tênis brasileiro encerrou sua participação em Roland Garros 2026 com resultados históricos dentro e fora das quadras. O principal destaque veio neste sábado (6), com a conquista inédita de Guto Miguel na chave juvenil masculina. O goiano derrotou o norte-americano Michael Antonius por 6/2 6/4 e tornou-se o primeiro brasileiro campeão de simples juvenil em Roland Garros.

Guto também assumirá a liderança do ranking mundial juvenil da ITF na próxima segunda-feira (8), consolidando uma campanha memorável em Paris.

O título coloca o brasileiro em um seleto grupo de campeões de Grand Slam juvenil em simples. Antes dele, apenas Tiago Fernandes (Australian Open 2010), Thiago Wild (US Open 2018) e João Fonseca (US Open 2023) haviam alcançado o feito. Além disso, Guto foi apenas o quarto brasileiro a disputar uma final juvenil de simples em Roland Garros, depois de Edison Mandarino (1959), Thomaz Koch (1962 e 1963) e Luís Felipe Tavares (1967), tornando-se o primeiro a levantar o troféu.

Mas os destaques brasileiros em Paris foram muito além do título juvenil. Victoria Barros e Leonardo Storck alcançaram as semifinais da chave juvenil, enquanto Luisa Stefani chegou à semifinal das duplas femininas. Já João Fonseca, na chave masculina de simples, Marcelo Demoliner, nas duplas masculinas, e Daniel Rodrigues, no tênis em cadeira de rodas, avançaram até as quartas de final do Grand Slam francês.

Para o presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Alexandre Farias, os resultados refletem a evolução do tênis nacional e o trabalho desenvolvido nos últimos anos em diferentes áreas da modalidade.

“Os resultados que vimos em Roland Garros representaram um momento muito especial para o tênis brasileiro. Ver atletas brasileiros alcançando fases decisivas no profissional, no infantojuvenil e no tênis em cadeira de rodas demonstra que estamos colhendo os frutos de um trabalho construído por muitas mãos ao longo dos últimos anos”, afirmou.

Segundo Farias, a diversidade dos resultados evidencia a força do sistema de desenvolvimento do tênis brasileiro. “Ter nomes como João Fonseca, Marcelo Demoliner, Daniel Rodrigues, Victoria Barros, Nauhany Silva, Luisa Stefani, Leonardo Storck e Guto Miguel chegando tão longe em uma das maiores competições do mundo mostra a força e a profundidade do nosso tênis. Mais do que resultados individuais, estamos falando de uma geração que inspira e de um sistema que está conseguindo oferecer melhores oportunidades de desenvolvimento aos nossos atletas.”

Farias também destacou que os resultados não se limitaram aos atletas. O Brasil contou com quatro árbitros de cadeira atuando em Roland Garros: Paula Capulo Vieira Souza, Aline Rocha, Ana Carvalho e Tiago Sturmer. O grande destaque foi Paula Souza, que se tornou a primeira árbitra latino-americana a comandar uma final em Roland Garros ao ser designada para a decisão de duplas mistas.

“E os resultados não ficam apenas dentro das quadras com nossos atletas. Pela primeira vez, o Brasil contou com três árbitras femininas e um árbitro masculino atuando como árbitros de cadeira na competição, demonstrando também a evolução e o reconhecimento internacional da arbitragem brasileira. O destaque especial fica para Paula Souza, que alcançou um dos momentos mais importantes de sua carreira ao ser designada para comandar a final de duplas mistas, uma das partidas mais relevantes do torneio.”

O presidente da CBT ressaltou ainda a importância dos investimentos realizados nos últimos anos para o fortalecimento da modalidade. “A Confederação Brasileira de Tênis tem procurado ampliar investimentos na base, fortalecer o calendário nacional, criar oportunidades internacionais e trabalhar em parceria com federações, clubes, treinadores e patrocinadores. Quando vemos atletas e nossa arbitragem se destacando simultaneamente em diferentes categorias, temos a confirmação de que estamos no caminho certo.”

Por fim, Farias destacou o significado da campanha brasileira em Paris para o futuro da modalidade: “O mais importante é perceber que o Brasil volta a ser competitivo em todas as frentes. Estamos formando atletas para o presente e para o futuro. Roland Garros 2026 já entra para a história como uma das participações mais marcantes do tênis brasileiro e nos dá ainda mais motivação para continuar investindo no crescimento da modalidade em todo o país.”

Com um título inédito, um novo número 1 do mundo juvenil, resultados expressivos em diferentes categorias e reconhecimento internacional da arbitragem nacional, Roland Garros 2026 ficará marcado como uma das campanhas mais relevantes da história recente do tênis brasileiro.



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