A incorporação de elementos naturais aos espaços de trabalho vem deixando de ser apenas uma escolha estética para assumir um papel estratégico nas empresas. Inserido nesse movimento, o conceito de biofilia, que propõe a aproximação entre ambientes construídos e a natureza, tem ganhado espaço ao associar ganhos de produtividade a impactos diretos na saúde dos profissionais e na redução de despesas corporativas.
Levantamentos internacionais indicam que escritórios projetados com base em princípios biofílicos podem gerar economias relevantes. Segundo o estudo The Economics of Biophilia, da consultoria Terrapin Bright Green, ambientes que privilegiam iluminação natural, presença de vegetação e vistas externas podem reduzir custos administrativos em até US$ 2 mil por funcionário ao ano. O relatório também aponta efeitos consistentes na diminuição do absenteísmo, na queda de queixas relacionadas ao ambiente de trabalho e no aumento da retenção de talentos.
Evidências acadêmicas reforçam esse diagnóstico. Pesquisa conduzida pela Universidade de Oregon revela que profissionais expostos a vistas naturais se afastam menos por motivos de saúde, acumulando, em média, 57 horas anuais de licença médica, ante 68 horas entre aqueles sem acesso a esse tipo de paisagem. Ambientes com vistas urbanas apresentam desempenho intermediário. O estudo também identifica que fatores como qualidade da vista, incidência de luz natural e dimensão das aberturas respondem por cerca de 10% das variações nos índices de absenteísmo.
No Brasil, a adoção desse modelo começa a ganhar escala em projetos imobiliários corporativos. A 3z Realty, braço do Grupo NC no setor, está entre as empresas que vêm incorporando esses conceitos em seus empreendimentos. Um dos exemplos é o Art Tower Pinheiros, desenvolvido com foco na integração entre arquitetura e elementos naturais.
O projeto prioriza soluções que ampliam a entrada de luz natural e favorecem o conforto térmico, contribuindo também para maior eficiência energética. As unidades incluem varandas, o que reforça a conexão com o ambiente externo, enquanto áreas verdes foram distribuídas ao longo do edifício, incluindo uma praça no térreo e outra no 20º andar, associada a unidades de short stay.
“A proposta é equilibrar estética e funcionalidade para criar ambientes que estimulem bem-estar, inovação e qualidade de vida no dia a dia”, afirma Rodrigo Colares, engenheiro e diretor comercial da 3z Realty. Segundo ele, o empreendimento também incorpora infraestrutura voltada à manutenção das áreas verdes, como sistemas de irrigação, o que assegura a continuidade dos benefícios associados à presença de vegetação.
Na avaliação do executivo, a biofilia tende a se consolidar como um diferencial competitivo no desenvolvimento de novos projetos imobiliários. “Ela deixa de ser apenas um recurso visual e passa a integrar a estratégia de criação de espaços mais saudáveis, sustentáveis e alinhados às novas demandas do mercado corporativo”, diz.
O avanço desse tipo de abordagem reflete uma mudança mais ampla na forma como empresas e incorporadoras encaram o ambiente de trabalho. Em um cenário de maior preocupação com saúde mental, produtividade e retenção de talentos, a integração entre natureza e arquitetura passa a ser vista não apenas como tendência, mas como um ativo econômico mensurável.


