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Energyfintech Liora transforma conta de luz em crédito e acelera aposta no varejo

Energyfintech Liora transforma conta de luz em crédito e acelera aposta no varejo

A conta de luz, tradicionalmente tratada como um custo fixo inevitável, começa a ganhar um novo papel dentro da economia digital. É a partir dessa premissa que a Liora, startup criada em 2024 por ex-executivos de empresas como Loft, Guiabolso, Moip e Kovi, estruturou um modelo que combina energia e serviços financeiros para atender, sobretudo, pequenas e médias empresas.

A proposta é transformar um gasto recorrente e previsível em infraestrutura para crédito, benefícios e serviços. Na prática, a companhia opera usinas de geração distribuída e utiliza a economia gerada na fatura de energia como base para estruturar produtos financeiros dentro de ecossistemas parceiros.

Segundo Renata Feijó, cofundadora da Liora, o insight surgiu a partir de uma leitura estrutural do setor elétrico brasileiro, que passa por um processo de abertura e transformação. “A gente começou em 2024 muito movido por essa mudança do setor. O cliente finalmente começou a ser tratado como cliente e não apenas como um pagador de contas. Isso abriu espaço para inovação”, afirmou.

A executiva explica que a virada de chave veio quando os fundadores perceberam que a energia reunia características típicas de ativos financeiros. “É um custo fixo, recorrente, previsível e presente no orçamento de praticamente todo mundo”, disse. “Quando olhamos para isso, ficou claro que havia uma oportunidade de estruturar produtos financeiros a partir desse fluxo.”

O modelo da Liora parte da gestão de créditos de energia gerados por usinas próprias ou parceiras. Esses créditos são alocados na conta de luz dos clientes, reduzindo o valor a pagar. A diferença gerada pode ser usada de forma direta, como desconto, ou convertida em produtos financeiros, como crédito, financiamento de equipamentos e benefícios.

Márcio Reis, também cofundador, resume a lógica do negócio ao destacar que a energia funciona como meio para viabilizar soluções mais amplas. “Usamos a energia como meio, não como fim. O pequeno empresário não quer entender a regulação elétrica, ele quer acesso a crédito mais barato, equipamentos ou benefícios que caibam no bolso sem aumentar o custo total”, afirmou.

Entre as aplicações já estruturadas estão linhas de crédito com juros reduzidos ou até zero, financiamento de equipamentos para o varejo, cashback em cartões e serviços recorrentes integrados ao consumo mensal. A lógica é manter o gasto total do cliente estável, mas ampliar o valor percebido.

Com operação iniciada em setembro de 2024, a Liora já se aproxima de mil clientes e registra crescimento mensal entre 30% e 40%, segundo os fundadores. A receita contratada anualizada gira em torno de R$ 8 milhões, com projeção de alcançar entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões até o fim de 2026.

Esse ritmo sustenta a nova fase da companhia, que busca captação para acelerar a expansão. O foco está na ampliação da base de clientes e, principalmente, na construção de novos canais de distribuição por meio de parcerias.

“A gente tem um produto com uma possibilidade enorme de escalar. O objetivo agora é crescer a base, trazer mais parceiros e consolidar essa tese de transformar energia em ativo financeiro”, afirmou Renata.

A estratégia passa por integrar a solução a plataformas já utilizadas pelos clientes. Em vez de contratar diretamente um serviço de energia, o usuário passa a acessar benefícios dentro de ecossistemas conhecidos, como crédito embutido, cashback ou serviços vinculados ao consumo.

Entre os parceiros já conectados à operação estão empresas como Totalpass, AlugaMais e Netgool, além de clientes como Kopenhagen, China in Box, Frango no Pote, Subway e Oggi Sorvetes.

A lógica de distribuição é um dos pilares do modelo. A Liora atua tanto com canal próprio quanto via parcerias com empresas de benefícios, varejistas, indústrias e administradoras.

Nesse formato, a energia deixa de ser percebida como um contrato isolado e passa a funcionar como um componente invisível dentro de uma oferta maior. O cliente pode, por exemplo, trocar o desconto na conta de luz por benefícios em plataformas de consumo ou serviços recorrentes.

“É uma forma de usar a energia para turbinar produtos que as pessoas já entendem e confiam”, afirmou Reis.

Outro eixo estratégico está no uso de dados. Ao operar diretamente a relação com a conta de energia, a Liora passa a ter acesso a um histórico de consumo que funciona como proxy do desempenho de um negócio.

Segundo Márcio Reis, esse tipo de informação permite construir modelos de risco mais precisos, especialmente para empresas com pouco histórico financeiro formal. “O consumo de energia é quase um espelho da operação. Se cresce, indica atividade aquecida. Se cai, pode sinalizar desaceleração. Isso abre espaço para novos modelos de crédito”, disse.

Regulação e resiliência do modelo

Apesar das discussões frequentes sobre mudanças no setor elétrico, os fundadores avaliam que o ambiente regulatório brasileiro oferece previsibilidade suficiente para sustentar o modelo.

Renata Feijó destaca que a empresa estruturou sua operação para absorver oscilações operacionais sem repassar riscos ao cliente. “Nosso modelo já nasce com uma lógica de longo prazo e resiliência. A gente garante um valor consistente para o cliente independentemente de variações pontuais na geração ou na operação”, afirmou.

Ela também ressalta que a segurança jurídica é um elemento central do setor. “O setor elétrico precisa ser previsível para atrair investimento de longo prazo. Existe muita discussão, mas pouca mudança estrutural que afete contratos já estabelecidos”, disse.

Abertura do mercado como vetor de crescimento

A expectativa de abertura gradual do mercado livre de energia para consumidores menores, prevista para começar em 2027 e avançar até o varejo em 2028, é vista como um catalisador relevante.

Para a Liora, esse movimento deve acelerar a educação do consumidor e ampliar a percepção de que a energia pode ser escolhida e otimizada, criando um ambiente mais favorável para modelos como o da companhia.

“Quanto mais o cliente entender que tem alternativas, mais o mercado evolui. Isso amplia as possibilidades de produto e de distribuição”, acrescentou Renata.

Ao combinar energia, dados e serviços financeiros, a Liora aposta em uma mudança estrutural na forma como custos fixos são tratados dentro da economia.

A ambição é transformar a conta de luz em um canal de acesso a crédito e benefícios, especialmente para um público historicamente pouco atendido pelo sistema financeiro tradicional.

“Para muita gente, a conta de luz é só um peso no fim do mês. Se conseguirmos transformar esse mesmo boleto em acesso a crédito, cashback e serviços relevantes, a gente muda a lógica de consumo e cria valor real para o cliente”, completou Renata.




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