Em um ambiente marcado por volatilidade financeira e reconfiguração dos fluxos globais de capital, o mercado imobiliário de luxo volta a ocupar posição estratégica nas decisões dos grandes investidores. Mais de 40% dos alocadores globais planejam ampliar a exposição ao segmento residencial de alto padrão, enquanto um quarto deles já avalia novas aquisições no horizonte de até 18 meses, segundo o The Wealth Report 2025/26, da Knight Frank.
O movimento acompanha a expansão consistente da base de alta renda no mundo. O número de indivíduos com patrimônio superior a US$ 10 milhões ultrapassou 2,3 milhões, enquanto a faixa dos ultra-ricos, com fortunas acima de US$ 100 milhões, superou pela primeira vez a marca de 100 mil pessoas. Esse avanço, ainda que gradual, tem implicações diretas sobre ativos reais com oferta limitada, pressionando especialmente o topo do mercado imobiliário em destinos consolidados.
Na prática, o reposicionamento do capital reflete uma mudança de função. Se historicamente o imóvel de luxo ocupava espaço relevante como diversificação, passa agora a assumir papel central como instrumento de preservação patrimonial. A lógica deixa de ser exclusivamente orientada à rentabilidade e incorpora, de forma mais explícita, a busca por estabilidade em um cenário de ciclos financeiros mais curtos e imprevisíveis.
No Brasil, essa dinâmica começa a ganhar tração, sobretudo em mercados litorâneos onde a combinação entre escassez física, padrão construtivo elevado e valorização consistente cria barreiras naturais de oferta. Em Itapema, no litoral norte de Santa Catarina, empreendimentos frente-mar já capturam esse novo perfil de demanda. É o caso do Edify One, projeto residencial de alto padrão que, mesmo com entrega prevista apenas para 2028, já comercializou cerca de 40% de suas unidades, com Valor Geral de Vendas estimado em R$ 650 milhões.
Segundo Luiz Feitosa, especialista com mais de três décadas de atuação no setor e sócio do projeto, o comportamento recente dos investidores reforça a percepção de que ativos tangíveis e escassos voltaram ao centro da estratégia global. “O que se observa não é apenas um aumento de alocação, mas uma mudança de prioridade. O imóvel de luxo deixa de ser complementar e passa a desempenhar papel estruturante na proteção de patrimônio, sobretudo em um contexto de maior incerteza nos mercados financeiros”, afirma.
A leitura encontra respaldo na evolução do próprio mercado. À medida que a riqueza global se concentra e se expande, cresce também a competição por ativos únicos, capazes de combinar localização, exclusividade e liquidez relativa. Nesse ambiente, o litoral brasileiro, especialmente em regiões com restrição geográfica à expansão urbana, tende a consolidar sua posição como destino relevante para capital doméstico e internacional.
O Edify One sintetiza esse movimento ao reunir um consórcio de grupos com histórico no setor imobiliário e posicionar-se no topo do mercado catarinense. A iniciativa é fruto da associação entre Bumaji Participações, Duo+ Participações, Feitosa Participações e NR Sports, proprietária do terreno e sócia do empreendimento. O projeto aposta em arquitetura contemporânea, inovação construtiva e diretrizes de sustentabilidade para responder a uma demanda cada vez mais sofisticada.
No pano de fundo, o que emerge é uma reconfiguração silenciosa, porém estrutural, na forma como grandes fortunas se relacionam com o mercado imobiliário. Mais do que um ativo de prestígio, o imóvel de luxo reafirma seu papel como reserva de valor em um mundo onde previsibilidade se tornou um ativo escasso.


