Nos Estados Unidos, o comportamento do comprador de imóveis de alto padrão vem passando por uma mudança relevante, que altera não apenas a forma de consumir, mas a própria relação com a moradia. A casa deixa de ser vista como algo definitivo e passa a acompanhar, de forma mais dinâmica, o estilo de vida do proprietário. No LeadingRE Limitless, evento internacional que reúne lideranças do setor imobiliário, diversos dados reforçam essa transformação, como o fato de que 93% dos compradores pretendem construir ou reformar suas residências nos próximos cinco anos.
O imóvel deixa de ser um ativo estático para se tornar um espaço em constante evolução, alinhado ao estilo de vida do proprietário. Esse movimento se reflete em outro indicador relevante: 56% dos compradores planejam construir novas residências, enquanto 71% pretendem reformar as atuais. Na prática, o mercado passa a operar menos na lógica de compra e venda e mais em um ciclo contínuo de adaptação.
A busca por privacidade e exclusividade também se consolida como um dos principais vetores de decisão. Condomínios fechados e localizações mais restritas ganham protagonismo, com 45% dos compradores priorizando a localização acima da qualidade construtiva. O valor do imóvel passa, cada vez mais, a estar associado ao contexto, com segurança, controle e pertencimento, e não apenas ao produto em si.
As diferenças geracionais aprofundam esse cenário. Millennials valorizam fluidez e simplicidade, com forte presença do digital na jornada de compra. A geração X mantém um olhar mais patrimonial, focado em qualidade e valorização. Já os baby boomers priorizam conveniência e acesso a serviços. O resultado é um mercado mais segmentado, que exige estratégias específicas para cada perfil.
No produto, a estética moderna segue relevante, mas o diferencial está na integração entre design, funcionalidade e experiência. Ambientes multifuncionais, integração entre áreas internas e externas e uso intensivo dos espaços indicam uma casa pensada para acompanhar diferentes momentos da rotina.
A tecnologia acompanha essa transformação de forma mais silenciosa e integrada. O foco deixa de ser a presença de soluções digitais e passa a ser a qualidade da experiência proporcionada por elas. Ao mesmo tempo, do lado das empresas, cresce a pressão por eficiência. A adoção de inteligência artificial, que passou de cerca de 20% em 2023 para 40% em 2024, indica um setor mais orientado por dados e personalização, ainda que o relacionamento humano continue sendo central.
Para o Brasil, o movimento é um sinal claro do que está por vir. O comprador de alto padrão tende a seguir na mesma direção, demandando mais personalização, serviços e integração entre produto e experiência. Incorporadoras e imobiliárias que anteciparem esse comportamento terão uma vantagem competitiva relevante em um mercado cada vez mais sofisticado e exigente.
*Alvaro Marco é diretor-executivo da Coelho da Fonseca


