A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL) decretou situação de calamidade financeira e fiscal na administração pública e também no Departamento de Água e Esgoto do município (DAE). Os decretos foram publicados nesta quinta-feira (16) no Diário Oficial dos Municípios e têm validade inicial de 180 dias.
Segundo o Executivo, a medida foi motivada pela crise financeira, após decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reconhecer a inadimplência do município em relação ao Plano Anual de Pagamento de Precatórios e autorizar o sequestro de R$ 19,7 milhões dos cofres municipais.
Conforme o decreto, o bloqueio dos recursos e a restrição à disponibilidade financeira comprometem o fluxo de caixa necessário para custear despesas obrigatórias e garantir a continuidade dos serviços públicos essenciais.
O documento também aponta que grande parte das receitas correntes de Várzea Grande é composta por transferências constitucionais e legais da União e do Estado, como recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), da cota-parte do ICMS e dos repasses destinados à saúde.
De acordo com a administração municipal, essas receitas são indispensáveis para o pagamento da folha salarial, manutenção de contratos administrativos e execução de despesas obrigatórias.
180 dias de vigência inicial dos decretos
Despesas que terão prioridade
Pagamento dos salários e demais despesas obrigatórias.
Manutenção dos atendimentos e serviços públicos essenciais.
Continuidade de programas voltados à população vulnerável.
Recursos destinados à limpeza urbana e segurança municipal.
Manutenção do abastecimento e dos serviços prestados pelo DAE.
Cumprimento de ordens que possam afetar ainda mais as contas.
O que fica suspenso ou limitado?
Criação de novas despesas que não sejam obrigatórias.
Ampliação de programas sem previsão no orçamento.
Assinatura de novos contratos que não sejam indispensáveis aos serviços essenciais.
Compra de bens permanentes sem caráter urgente.
Realização de eventos, festas e outras despesas discricionárias.
O que o decreto não faz automaticamente?
A calamidade financeira não interrompe os serviços essenciais, não suspende automaticamente o pagamento dos servidores e não autoriza aumento de impostos ou descumprimento de obrigações legais.
Além da falta de liquidez, a prefeitura afirma enfrentar restrições orçamentárias decorrentes da insuficiência de receitas frente ao volume de despesas obrigatórias.
Segundo o decreto, esse cenário coloca em risco a continuidade de áreas consideradas essenciais, como saúde, educação, assistência social, limpeza urbana, segurança pública municipal, transporte e pagamento dos servidores.
A gestão municipal informa ainda que encaminhou à Câmara Municipal projetos voltados ao reequilíbrio fiscal, financeiro, administrativo e orçamentário. As propostas aguardam apreciação dos vereadores, e o Executivo já solicitou convocação extraordinária para votação das matérias.
Medidas adotadas para conter a crise fiscal
Durante a vigência do decreto, todos os órgãos da administração direta e indireta deverão priorizar despesas obrigatórias, folha de pagamento, saúde, educação, assistência social, segurança pública, limpeza urbana, abastecimento de água, saneamento e demais serviços essenciais, além do cumprimento de decisões judiciais que possam agravar a situação fiscal.
Também ficam suspensas, até nova deliberação, a criação de despesas não obrigatórias, a ampliação de programas sem previsão orçamentária, a celebração de novos contratos que não sejam indispensáveis aos serviços essenciais, a aquisição de bens permanentes sem caráter urgente e a realização de eventos, festividades e outras despesas discricionárias.
Crise atinge o DAE-VG
Em outro decreto publicado no mesmo dia, a Prefeitura também declarou situação de calamidade financeira no Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE/VG), alegando grave desequilíbrio entre receitas e despesas que compromete a prestação do serviço de abastecimento de água.
O texto cita decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) que julgou irregulares as contas da autarquia referentes ao exercício de 2023.
Entre as irregularidades apontadas estão déficit orçamentário de R$ 28,7 milhões, dívida de R$ 172,2 milhões com a concessionária de energia elétrica, ausência de inscrição em dívida ativa de créditos vencidos de R$ 158,8 milhões e passivo em precatórios superior a R$ 314 milhões.

Segundo a prefeitura, esse quadro compromete o pagamento de despesas e contratos essenciais para o funcionamento do sistema de abastecimento de água, colocando em risco a continuidade do serviço prestado à população de Várzea Grande.
O decreto estabelece que a situação de calamidade financeira no DAE terá duração de 180 dias, podendo ser prorrogada enquanto persistirem as circunstâncias que motivaram a medida.
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